Trechos de aproximadamente um minuto de quatro vídeos: Intervenção da série Vallas, Sem título, Sem Título e Processo de construção de escultura (ouriço).
Ação realizada no dia do aniversário de São Paulo, no Viaduto do Chá, no
centro da cidade. Vinte barreiras foram deslocadas e colocadas em
equilíbrio em meio a passagem. Para ver o video completo clique aqui
![]() | |
| Registro de montagem da instalação s/t, Phosphorus, São Paulo, 2011 |
Ao lado do Pátio do Colégio, na Rua Roberto Simonsen, 108, um novo espaço
voltado para arte contemporânea esta prestes a abrir suas portas.
Esse primeiro ato, intitulado Pré-Nome se dará dia 26 de novembro. Participo
com uma instalação que está em processo de feitura. O trabalho sem título é a reconstrução de uma situação
observada e fotografada na rua. Essa fotografia tirada em julho de 2010,
iniciou uma série de registros fotográficos que faço na cidade, onde foco meu
olhar em um aspecto pouco percebido em nosso cotidiano, justamente por ser
banal. Me chama a atenção algumas gambiarras feitas anonimamente na cidade, que
pensam a solução de problemas à comunidade, e atuam, mesmo que precariamente,
como uma espécie de prestação de serviço público. Foi o caso de outro registro
de um buraco no meio da rua, onde, para prevenir acidentes, alguém arranjou uma
sinalização frágil utilizando materiais encontrados, lâmpadas de neon e caixas
de papelão cumpriam muito melhor a função de um cone. Vale observar que essa
situação se encontrava sobre uma faixa de pedestres, parcialmente apagada pela
sobreposição de uma camada de asfalto. Deixando claro, a falta de
comprometimento do Poder Público sobre questões que envolvem a segurança
pública em São Paulo. A instalação reproduzida na Casa Juisi + Phosphorus passou por alguns
momentos de montagem, em um deles desenhei com tinta e pincel um
quadrado preto, ocupando grande parte de uma parede, um outro passo foi extrair
por marretadas o reboco de determinada área da parede, deixando os tijolos
originais da casa a mostra. A área de reboco extraído da parede, apesar de ser
um quadrado com as mesmas dimensões do quadrado ali desenhado, não coincide com
o desenho, dando a impressão de que houve um erro, entre o projeto desenhado e
a obra executada. O deslocamento de um quadrado sobre a parede, deixa dúvida
sobre o término de seu acabamento, assim como sobre sua autoria, uma vez que se
insere em um espaço que está em processo de reforma e justamente por ser a
reprodução de uma situação urbana observada durante a realização de uma obra em
um estabelecimento de uma avenida qualquer. Coloco-me no sentido de
intensificar o desprezível, reapresentar o real, possibilitando uma experiência
sensível ao erro.
***
| Instalação Sem Título, objetos, papéis, grafite, papelão, spray, dimensões variáveis, 22º Mostra de Arte da Juventude, SESC-SP, Ribeirão Preto, 2011 |
Dia 11 de novembro, foi a abertura da 22º Mostra de Arte da Juventude, no SESC de
Ribeirão Preto. Participo da exposição coletiva com uma instalação composta por
desenhos pregados na parede e objetos deslocados do ambiente urbano dispostos
sobre prateleiras e no piso do espaço expositivo. Chegando na Cidade, caminhei
pelo centro observando o movimento e certa precariedade típica de todo centro
urbano. Logo me deparei com alguns objetos que me chamaram atenção. Um deles
uma bricolagem utilizada para demarcar áreas de não-acesso no espaço público,
no caso “guardava” a vaga de um carro na rua. É uma haste de ferro que sai de
dentro de uma lata preenchida por cimento. Outro foi um escapamento enferrujado
que vi debaixo de uma carroça cheia de papelão. Um senhor o havia encontrado e
iria vender no ferro velho por 50 centavos, então comprei dele por R$ 1,50.
Esses e outros materiais encontrados nessa andança foram trazidos para a sala
de exposição. Olhei algum tempo os objetos trazidos para dentro do “cubo
branco” e fiz desenhos de observação, que funcionam para mim como uma
catalogação desses materiais dos quais me aproprio. Ocupei uma quina da sala e fiz uso
de algumas caixas de madeira ali instaladas, onde agrupei pequenos fragmentos de
diferentes pisos retirados das calçadas. Com essa instalação, tenho a intenção
de forçar o espectador a olhar para coisas comumente despercebidas em nosso
cotidiano. Sugiro uma reinterpretação do nosso olhar (que é tão condicionado)
sobre a cidade.
***
***
| materiais encontrados |
Para chegar na Casa das Caldeiras, passo diariamente embaixo de um
viaduto, me interesso por esse espaço, pois nele imagino uma potência para
acontecimentos. É um espaço de passagem, fluxo intenso de carros sobre o
asfalto. Mas é também um espaço de abrigo, de moradia provisória. Onde pessoas
em situação de rua se reúnem, ou solitariamente habitam espaços vagos. Existe
uma intervenção pública que está em andamento nessa região, é uma passagem
subterrânea para pedestres, que vai conectar o terminal rodoviário Barra Funda
à Rua Pedro Machado, logo abaixo do Viaduto Antártica. No processo de
pré-produção da obra, abaixo do viaduto encontrei umas hastes de madeira
fincadas em blocos de concreto, este objeto é utilizado para construir
bloqueios de passagens de carros ou pedestres. Durante a construção dessa rota
de pedestres, o fluxo de passagem sobre a malha urbana é reorganizado, os
caminhos que eram preestabelecidos sofrem adulterações, muitas vezes sem a
preocupação com a segurança pública, deixando como única via para pedestres a
própria rua. Pratiquei uma interferência deslocando esses objetos encontrados e
organizando-os em fila, desenhei uma linha que interrompia o fluxo de pedestres
sobre a calçada abaixo do viaduto. O transeunte que quisesse passar teria que
repensar seu percurso.
| Intervenção com materiais encontrados sob viaduto Antártida, Barra Funda, São Paulo, outubro de 2011 |
